Acesso ao medicamento canabidiol

dc.contributor.authorArnemann, Gracielly
dc.contributor.commiteLara, Adriana Stormoski
dc.contributor.commiteVargas, Fábio Aristimunho
dc.contributor.commiteAlves, Sheila
dc.date.accessioned2026-03-24T19:45:01Z
dc.date.issued2025-10-20
dc.description.abstractO trabalho investiga o acesso ao canabidiol - CBD no Brasil como um desafio jurídico-constitucional na efetivação do direito à saúde, com base na análise da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça - STJ entre 2019 e 2025. Problema de pesquisa: em que medida, e segundo quais critérios, o STJ tem assegurado o acesso a produtos à base de canabidiol pelo SUS e pela saúde suplementar, e como essa atuação dialoga com o marco regulatório (RDC Anvisa nº 327/2019 e nº 660/2022), com as recomendações da Conitec e com a ausência do CBD na Rename 2024? Objetivo geral: analisar, entre 2019 e 2025, a jurisprudência do STJ sobre o acesso ao canabidiol, identificando critérios decisórios, condicionantes probatórias e impactos sobre a efetividade do direito à saúde. Objetivos específicos: (i) sistematizar o marco regulatório aplicável (Anvisa/Conitec/RENAME); (ii) examinar a aplicação do mínimo existencial e da reserva do possível nas decisões; (iii) identificar padrões de prova exigidos (laudos, prescrição, alternativas no SUS/ANS, hipossuficiência); (iv) comparar decisões sobre fornecimento público, cobertura por planos e salvo-condutos para cultivo medicinal; (v) apontar lacunas de política pública e caminhos de harmonização institucional. Parte-se da compreensão de que o direito à vida e o direito à saúde, como direitos fundamentais, impõem ao Estado tanto deveres de ação, na formulação e execução de políticas públicas, quanto de abstenção, para que não haja retrocessos ou omissões indevidas. O estudo examina o recente marco regulatório da Anvisa, especialmente a RDC nº 327/2019, que criou a categoria de “produtos de cannabis”, e a RDC nº 660/2022, que autoriza a importação por pessoa física. Tais normas, embora representem avanço, não significam a incorporação automática do CBD ao Sistema Único de Saúde - SUS, pois essa inclusão depende de avaliação tecnológica pela Conitec e de padronização na Rename 2024 — que ainda não contempla o produto. À luz dos princípios do mínimo existencial e da reserva do possível, observa-se que o Judiciário tem reconhecido o fornecimento do CBD pelo poder público ou pelos planos de saúde quando comprovada a necessidade terapêutica, a ausência de alternativas eficazes e a vulnerabilidade econômica do paciente. Também se identificam decisões que concedem autorização para cultivo doméstico em casos específicos. A análise revela, contudo, que essas decisões refletem não apenas a busca individual por tratamento, mas também a insuficiência de políticas públicas estruturadas sobre o tema. O Judiciário tem atuado como mediador de urgências sociais, afirmando a dignidade da pessoa humana e o núcleo essencial do direito à saúde, mas sem substituir o dever do Estado de formular políticas sustentáveis e baseadas em evidências. A metodologia é qualitativa, exploratório-descritiva e documental- jurisprudencial, com categorias analíticas que articulam evidência clínica, padronização, alternativas terapêuticas e parâmetros constitucionais. Conclui-se que, embora persista falta de uniformidade e lacunas de política pública, emerge uma linha decisória que prestigia a dignidade humana e o núcleo essencial do direito à saúde, condicionando a intervenção judicial à comprovação técnica, à inexistência de substitutos terapêuticos e à hipossuficiência, ao mesmo tempo em que reafirma a responsabilidade solidária dos entes federativos e o papel estruturante das políticas públicas.
dc.description.abstractenThis study investigates access to cannabidiol - CBD in Brazil as a constitutional and legal challenge in the realization of the right to health, based on the jurisprudence of the Superior Court of Justice (STJ) between 2019 and 2025. Research problem: to what extent, and under which criteria, has the STJ ensured access to CBD-based products via SUS and private health plans, and how does this judicial intervention interact with the regulatory framework (ANVISA RDC No. 327/2019 and No. 660/2022), CONITEC recommendations, and the absence of CBD from the 2024 RENAME? General objective: to analyze, from 2019 to 2025, STJ case law on access to cannabidiol, identifying decision criteria, evidentiary requirements, and effects on the effectiveness of the right to health. Specific objectives: (i) systematize the applicable regulatory framework (ANVISA/CONITEC/RENAME); (ii) examine how the minimum existential and the reserve of the possible are applied; (iii) identify evidentiary patterns (medical reports, prescriptions, alternatives available in SUS/ANS, economic vulnerability); (iv) compare rulings on public provision, private plan coverage, and home-cultivation safe-conducts; (v) highlight public policy gaps and propose avenues for institutional harmonization. It is grounded on the understanding that the rights to life and health, as fundamental rights, impose on the State both positive duties — to formulate and implement public policies — and negative duties — to prevent undue omissions or regressions. The research examines the recent regulatory framework established by the Brazilian Health Regulatory Agency – ANVISA, particularly Resolution RDC No. 327/2019, which created the category of “cannabis products,” and RDC No. 660/2022, which authorizes importation by individuals. Although these regulations represent progress, they do not imply the automatic incorporation of CBD into the Unified Health System - SUS, since such inclusion depends on technological evaluation by CONITEC and on the 2024 RENAME list, which still does not include the product. In light of the principles of the minimum existential standard and the reserve of the possible, the judiciary has recognized the right to CBD supply by public authorities or private health plans when therapeutic necessity, lack of effective alternatives, and the patient’s economic vulnerability are demonstrated. Some rulings have also authorized home cultivation in specific cases. The analysis reveals that such decisions reflect not only individual demands for treatment but also the insufficiency of structured public policies. The judiciary has acted as a mediator of social urgencies, affirming human dignity and the essential core of the right to health, without replacing the State’s duty to develop sustainable, evidence-based policies. The methodology is qualitative, exploratory-descriptive, and based on documentary and jurisprudential analysis, with analytical categories involving clinical evidence, standardization, therapeutic alternatives, and constitutional parameters. The study concludes that, despite persistent inconsistencies and policy gaps, a judicial trend has emerged that upholds human dignity and the essential core of the right to health, conditioning judicial intervention on technical evidence, the absence of therapeutic substitutes, and economic vulnerability, while reaffirming the shared responsibility of government entities and the structuring role of public policy.
dc.description.campusSão Miguel do Iguaçu
dc.description.countryBrasil
dc.identifier.citationARNEMANN, Gracielly. Acesso ao medicamento canabidiol: dificuldades e importância na liberação - uma análise jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça. 2025. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Direito) - Uniguaçu, São Miguel do Iguaçu, 2025.
dc.identifier.urihttps://repositorio.uniguacu.com.br/handle/123456789/184
dc.language.isopt
dc.publisherUniguaçu
dc.subjectMedicamento canabidiol
dc.subjectDireito a medicamentos
dc.subjectDireito a saude
dc.subjectCannabidiol medication
dc.subjectRight to medication
dc.subjectRight to health
dc.titleAcesso ao medicamento canabidiol
dc.title.alternativedificuldades e importância na liberaçao - uma análise jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça
dc.typeTCC

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